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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desabafo: Nem sei que nome dar a este post!


Aviso de antemão: Post mau humorado. Nem perca seu tempo, caso ache que o mundo já tá cheio demais de coisas desagradáveis...

Sabe aqueles dias em que parece que o mundo conspira contra voce?

Acordei com uma gripe infernal, daquelas que voce tem a sensação que saiu de dentro de um pilão e seu corpo parece carne moída. Mesmo assim, levantei cedo, Victão acordou e pulou da cama (ja que ele acordou de madrugada e veio "terminar" de dormir na minha cama). Eu, com um olho nele e o outro fechado, dormindo. De repente um tapão daqueles, bem no meio do focinho: Meu pequeno queria ver os desenhos na tv e juntou toda a força que tinha no corpo pra me estapear...conseguiu o que queria, acordei na hora, atordoada. Caramba, que mãozinha pesada desse menino.

E o dia se desenrolou com um choro compulsivo no restaurante brasileiro onde almoçávamos. Tristeza, dor e desespero no Rio de Janeiro, onde um maluco de apenas 23 anos entrou numa escola pública e matou 11 crianças, deixando mais uma dezena de feridos. Suicidou-se em seguida, mas antes deixou o país estarrecido e chocado.

Como é que a gente não chora numa hora dessa? Olhei pro meu filho ali do meu lado e pensei nas mães que eu via na TV. Horror, um show de horror.

Já era meio da tarde e os meus pensamentos não conseguiam encontrar sossego. Ando angustiada. De vez em quando acontece. Morar num país que não é seu, com um povo que não é o seu, com amigos, costumes, clima, soluções e problemas diferentes me faz pirar o cabeção vez ou outra. Sinto falta das pessoas. Falo com elas o dia todo, tenho notícias, mas falta o toque, o cheiro da mão da minha mãe...E isso as vezes acaba com meu dia.

E ai fico assim frágil, com saudades. Saudades de mim. Do que eu era, de como vivia, das coisas que dominava, que fazia com pé nas costas. 

Sou uma pessoa otimista, tento sempre ver o lado bom das coisas, mas hoje não tô a fim. 

Senti saudades da minha profissão, do meu trabalho que parecia coisa de louco, mas que acentuava em mim qualidades e defeitos. De poder entrar numa loja e comprar três pares de sapato do mesmo modelo, só cores diferentes, sem ter que pensar...pela simples futilidade de saber que estou pagando com o dinheiro do meu suor. Muito bem pago.

De sair de casa e ir onde me desse na telha. De parar no Largo da Matriz na Freguesia do Ó e comer uma coxinha do Frangó, que é considerada a melhor coxinha de São Paulo.

Talvez por não poder fazer isso nem uma série de outras coisas, pela minha limitação física, geográfica e outras coisas que nem quero citar, senão isso aqui vai ficar de uma chatice intragável, resolvi dar uma de louca e inventei de fazer coxinhas.

Agora me fala: Porque uma pessoa num estado desse de depressão resolve ir pra cozinha? Os americanos responderiam sem pestanejar: Comfort Food!
Sim, porque aqui eles deram um nome para aquela ansiedade que a gente sente de vez em quando e que nos conduz ao maravilhoso mundo da culinária, pra atolar o pé na jaca e afogar (?) as mágoas.

No meu caso, resolvi atolar o pé na batata. Sim, porque já que eu ia me meter a fazer coxinha, tinha que ser da boa, com massa de batata. Maldita idéia...

 Pra resumir, óbvio que tô aqui frustradíssima: A conspiração deste dia turbulento me venceu. Fiz tudo o que foi possível mas embora não seja de meu feitio, desisti. Até porque não tinha outra alternativa. Na hora de "concluir' a massa (depois de ter feito recheio e a maior zona na cozinha), percebi que a farinha de trigo não seria suficiente. Recorri ao marido que foi correndo no supermercado me salvar e talvez pela pressa não percebeu que estava sem a carteira. Foi, voltou, foi de novo e voltou com a bendita farinha.

"Agora vai", pensei. Daí que o Victor resolveu colaborar e como ainda está meio irritado por causa da infecção no ouvido, saiu da rotina. Não dormiu a tarde, tava se arrastando pelos cantos da casa. Parei tudo e fui colocá-lo pra dormir, mas depois do banho o guri despertou. Só dormiu depois de uma hora e quarenta minutos de muito balançado no colo. A esta altura o marido ja tinha desistido da coxinha e ficou no hot-dog mesmo...

Pois bem, enquanto enrolava as danadas pensava no que escrever no "review" do site de receita. Os seis depoimentos que tinham lá dizia que a receita era super fácil, a massa tranquila de enrolar. Ódio. Só pode ser o dia de hoje. Massa grudada na mão, na pedra da pia, no pinguim da geladeira (se eu tivesse um), espalhado pelo teto. Ódio.
Depois de todo processo "abre massa-recheia-fecha, fecha pelo amor de Deus- empana" chega a hora de testar pela primeira vez a minha sonhada Deep Fryer, que acabou de chegar. Nota: a fritadeira chegou HOJE, logo...

Quando vi que, mesmo depois de abrir duas garrafas de óleo, a marca que indicava o mínimo do volume necessario para fritar tava longe de ser alcançada, senti uma vontade grande de chorar. Mas não chorei. Botei as coxinhas no freezer, apaguei as luzes e deixei a bagunça da cozinha para resolver amanhã. (Ps.: Ditado besta aquele que diz "Não deixe para amanhã o que voce pode fazer hoje")

Corri pra cá pra desabafar, chorar e pensar que a vida sem coxinhas não é uma vida fácil. Tentando focar somente neste "problema", que certamente será resolvido amanhã, pra ver se a vida não perde a graça e a esperança de um dia bom volte a brilhar no meu céu. Agora juro que se amanhã o dia amanhecer chuvoso e a temperatura insistir - apesar de já estarmos na Primavera - em ficar abaixo de zero, comerei TODAS as cinquenta coxinhas que fiz (como rende, putz grilo!) e no Verão me atolo nas areias pedregulhentas destas praias frias daqui...

Sorry pelo post descabido...deve ser fome!

Bjs,